Raramente se está preparado(a) para um bebé prematuro. Talvez apenas na gestação de gémeos se espere uma gravidez mais curta. A maioria das mulheres fica surpreendida e afectada pelo fim repentino da gravidez. É perfeitamente normal que as emoções não sejam tão rápidas como os acontecimentos e resultem em ansiedade e depressão em vez de permitirem desfrutar da felicidade da maternidade. É muito fácil a mulher culpar-se a si mesma: perguntar o que teria feito de errado, porque razão o bebé quis sair do útero tão cedo?

 

Actualmente desconhece-se a causa exacta porque alguns bebés nascem prematuramente. Sabe-se que o número de partos prematuros tem aumentado nos últimos anos, e isso pode dever-se quer ao facto de as mulheres optarem por serem mães em idades mais avançadas bem como ao uso cada vez mais frequente das técnicas de reprodução medicamente assistida.

 

A prematuridade depende de diversas causas - designadamente doenças maternas ou fetais, gemelaridade, antecedentes de partos prematuros ou abortos de repetição, rotura prematura de membranas (rebentamento da “bolsa de águas”), malformações do feto, síndromas genéticos – mas como acima referi, a maioria dos casos continua a ser de causa incompletamente esclarecida ou desconhecida.

 

Partindo do princípio que a duração normal de uma gravidez é de 37 a 42 semanas, considera-se prematuro ou pré-termo todo o bebé cujo nascimento ocorra antes das 37 semanas de gestação.

 

Se procurarmos no dicionário veremos que a palavra prematuro tem origem no termo latino praematurus, de prae (antes) + maturus (maduro).

 

O bebé prematuro nasce com uma "imaturidade" dos seus órgãos e sistemas (respiração, controlo da temperatura, digestão, metabolismo, etc.) o que o torna mais vulnerável às doenças e mais sensível aos agentes externos (luz, ruído, etc.). Estes bebés merecem uma atenção especial e adequada às suas necessidades, já que embora seja uma "versão pequena" de um bebé de termo o seu processo de amadurecimento biológico ainda não está concluído, e, consoante a idade gestacional em que ocorre o nascimento, vai crescer num local diferente do útero materno; um local com sons, luzes intensas e estímulos sensoriais.

 

Segundo a idade gestacional, o prematuro pode classificar-se em prematuro limite (aqueles que nascem entre as 37 e 38 semanas), regra geral sem grandes complicações, prematuro moderado (aqueles que nascem entre as 31 e 36 semanas) e prematuro extremo (aquele que nasce entre as 24 e 30 semanas), os quais se encontram no limite da viabilidade, sobretudo os que têm menos de 27 semanas.

 

O aspecto físico de um recém-nascido prematuro pode causar diversas reacções nos pais aquando das primeiras visitas. São bebés com uma pele fina, brilhante e rosada, podendo em alguns casos ver-se claramente as veias como uma rede e por vezes coberta de uma penugem fina (lanugo) e pouco cabelo. A cabeça é grande e desproporcional em relação ao resto do corpo, têm orelhas finas e moles, músculos fracos e actividade física reduzida (ao contrário de um lactente de termo, um lactente prematuro tende a não elevar os membros superiores e inferiores), reflexos de sucção e deglutição fracos ou inexistentes e respiração irregular. Nas meninas os genitais têm um aspecto algo estranho porque os grandes lábios não cobrem os pequenos lábios, enquanto que nos meninos é provável que os testículos não tenham ainda descido para o escroto.

 

Uma coisa é certa, não são certamente como os bebés sorridentes e rechonchudos que sorriem nas revistas e nos anúncios publicitários, no entanto, quando atingir a data em que era suposto nascer, é provável que não tenha uma aparência muito diferente da de um bebé de termo.

 

É muito difícil prever a duração do internamento de um bebé prematuro, pois cada caso é um caso, e cada um tem uma evolução própria. Esta pode ir de dias/semanas a meses e depende de diversos factores, tais como, a idade gestacional, peso, complicações que possam ocorrer,...

 

Para mais informações sobre prematuridade e estes “bebés milagre” deixo como sugestão a consulta do site Ser Prematuro em www.serprematuro.com.

 

Publicado na edição de 2.02.2011 do Jornal Expresso do Ave