Dá-lhes segurança, satisfação, prazer, retira-lhes a ansiedade…  Alguns adoram-na, outros ficam indiferentes e outros simplesmente rejeitam-na.  A chupeta é um objecto muito popular mas também muito controverso. Escavações em Itália, Chipre e Grécia sugerem que a chupeta tenha pelo menos 3 mil anos. É citada pela primeira vez na literatura médica em 1473, na mesma época em que o pintor Albrecht Durer retrata um bebé com uma chupeta de pano. Geralmente eram feitas com um linho grosso, mergulhado em mel, leite, extracto de papoulas e até mesmo em láudano (um medicamento à base de ópio) ou conhaque. Hoje em dia, este objecto desenvolveu-se e surge sob a forma de uma tetina

standard de silicone ou de borracha com uma protecção à volta da boca e uma pega em plástico ou silicone.

Muitas crianças são imediatamente confrontadas com a chupeta, mal acabam de nascer... ou quase. Muitos pais, quando o bebé nasce, estão já equipados com este objecto porque preferem que o bebé aprenda a não chorar de noite e a consolar-se de dia. Há, no entanto, alguns detalhes que convém saber. Quando um bebé se está a adaptar ao mamilo da mãe – o que pode demorar dias –a introdução da chupeta poderá dificultar essa aprendizagem, pois para mamar na chupeta o bebé não precisa de abrir tanto a boca e, se utilizar a mesma técnica com a mama da mãe, vai extrair pouco leite, ficar com fome, causar stress na mãe, o que leva a uma diminuição ainda maior da saída de leite e ainda causar dores e gretar o mamilo. Por outro lado, o cheiro e a textura da borracha ou do material com que é feita a chupeta podem confundir a criança, na altura de pegar na mama. Assim sendo, a chupeta não deve ser oferecida enquanto a amamentação não estiver estabelecida, o que acontece no final das primeiras semanas de vida.

O reflexo da sucção é algo inato e muitos bebés já chucham no dedo enquanto se encontram no útero materno. Este reflexo alcança o seu ponto mais alto por volta dos 5 meses de vida, diminuindo lentamente até os 10 - 12 meses de idade, idade a partir da qual começa a desaparecer rapidamente. É também graças a este reflexo primário de sucção que o bebé se alimenta e sobrevive nos primeiros meses de vida. A chupeta deve servir para suprir a necessidade de sucção do bebé e não para calar ou apaziguar quando tem necessidade de alguma coisa. É portanto, fácil de entender que o período em que é necessária se resume aos primeiros meses de vida, altura em que, segundo alguns estudos, pode também reduzir a síndrome de morte súbita do lactente. A chupeta parece ajudar a impedir que a língua caia para trás obstruindo as vias respiratórias, favorecendo o controlo da respiração e diminuindo os períodos de apneia.

A sucção numa chupeta (sucção não nutritiva) tem o dom de ajudar os bebés prematuros porque estes dada a sua imaturidade ainda não têm desenvolvido o reflexo de sucção. Além disso também os ajuda a coordenar a sucção-deglutição com a respiração de forma a puderem passar da alimentação por sonda para a mama ou tetina.

As opiniões sobre o uso ou não da chupeta dividem-se. Para alguns o seu uso é um vício que se deve evitar a todo o custo e para outros constitui uma solução para muitos dos problemas dos bebés. Cabe aos pais, após estarem informados das vantagens e das desvantagens do seu uso, fazerem a escolha. Assim, como desvantagens do uso da chupeta temos a maior probabilidade de infecções nos ouvidos (pensa-se que a sucção numa chupeta aumenta a probabilidade de transferência da infecção da boca para a Trompa de Eustáquio - a passagem de ar que liga o ouvido médio à parte de trás da garganta), infecções gástricas e outras (o uso de chupeta foi associado a um maior risco de sintomas como vómitos, febre, diarreia e cólicas), problemas dentários (quando utilizada a longo prazo), problemas na fala (o uso de chupetas impede os bebés de palrar; passo importante na aprendizagem da fala) e interferência na amamentação (o uso diário da chupeta faz com que os bebés deixem de mamar mais cedo). A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que todos os bebés sejam amamentados em exclusivo durante os primeiros seis meses de vida devido aos enormes benefícios do leite materno. Por conseguinte tanto a OMS como o Fundo das nações Unidas para a Infância desaconselham fortemente o uso da chupeta. No que diz respeito às vantagens do uso da chupeta além das já referidas anteriormente, contribuir para a redução da síndrome da morte súbita e ajuda aos bebés prematuros, a sua principal vantagem é contribuir para acalmar o bebé ou ajuda-lo a adormecer. Chuchar numa chupeta pode aliviar a dor. Por alguma razão em inglês chupeta diz-se “pacifier” que significa pacificador.

Concluindo, como em tudo na vida, o bom senso deve imperar e a chupeta deve ser oferecida em situações excepcionais e sem ceder a facilitismos, a criança deve ser ajudada a crescer e não ficar “agarrada” a objectos de estádios de desenvolvimento mais precoces. Os pais têm um papel central nesse processo e o seu apoio é decisivo para que ocorra tranquilamente.



Publicado na edição de 4.05.2011 do Jornal Expresso do Ave

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