A pele é o maior órgão do corpo humano, envolve-o e determina o seu limite com o meio externo. Corresponde a cerca 16% do peso corporal num adulto e exerce diversas funções, como: regulação térmica, defesa orgânica, controle do fluxo sanguíneo, protecção contra diversos agentes do meio ambiente e funções sensoriais (calor, frio, pressão, dor e tacto). A pele é um órgão vital e, sem ela, a sobrevivência seria impossível.

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A pele da criança, e especialmente a dos recém-nascidos, tem características especiais que a tornam diferente em relação ao adulto. Do ponto de vista físico, a pele do recém-nascido é cerca de 40 a 60 por cento mais fina e a sua relação entre a superfície corporal e o peso é três vezes maior do que no adulto, o que aumenta o risco de toxicidade por absorção sistémica de substâncias aplicadas directamente sobre a pele. Além disso, a pele mais fina favorece a perda de água e calor, o que se deve ter muito em conta quando se trata de um bebé prematuro. Devido às suas particularidades a pele do prematuro merece um particular destaque. Assim, a pele dos prematuros com menos de 30-32 semanas ainda não tem formadas as camadas de gordura que são armazenadas no final da gravidez, sendo uma pele mais fina deixando ver bem os vasos sanguíneos nela existentes. Nos bebés ainda mais prematuros (24-28 semanas), em vez das diversas camadas que constituem a pele dos bebés de termo, existe apenas uma fina camada de células à superfície da pele. É pois uma pele muito frágil e que facilmente favorece a perda de água por evaporação. O facto de a pele dos prematuros ser tão fina, leva também a que o corpo deles arrefeça muito facilmente. Para evitar, entre outras situações, as já referidas perdas de água e o arrefecimento corporal estes bebés passam longos períodos em incubadoras até que o seu estado geral de maturação lhes permita ultrapassar estas complicações. Após o nascimento, a pele dos bebés prematuros sofre um “amadurecimento” rápido que consiste na formação de mais camadas superficiais, ficando com um aspecto descamativo, e após cerca de duas semanas de vida torna-se muito semelhante á de um bebé de termo.

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A pele do bebé revela-nos a sua coloração e a hidratação. Muitas vezes ao nascer o bebé está ainda coberto por uma camada de gordura esbranquiçada - vernix caseoso - que é absorvida nas primeiras 12-24 horas de vida, podendo também ter uma penugem que subsiste por algumas semanas, sobretudo na parte de cima das costas. Em relação à cor, nos primeiros minutos de vida a pele da criança tem um tom um pouco roxo, mas após completar o processo de adaptação pulmonar e alcançar a regulação da temperatura corporal fica vermelha e brilhante (eritema fisiológico). Após as primeiras 24-48 horas essa cor vermelha começa a diminuir dando lugar, em cerca de 70% dos casos, a uma cor amarelada – icterícia fisiológica. Esta coloração amarelada da pele e mucosas torna-se mais evidente por volta do terceiro ou quarto dia de vida e vai gradualmente desaparecendo, sendo na maioria dos casos praticamente imperceptível por volta do décimo segundo dia de vida. Por volta do segundo dia de vida é normal apresentarem uma descamação da pele que se designa por descamação fisiológica. Esta descamação surge com mais intensidade nos bebés de termo e de forma mais ligeira e mais tardia nos prematuros, desaparecendo completamente no final das duas primeiras semanas de vida. A pele do bebé pode apresentar pequenas erupções cutâneas salientes (pontos amarelos ou esbranquiçados), provocadas pela retenção das glândulas sebáceas (milia). Geralmente encontram-se nas bochechas e no nariz e desaparecem espontaneamente por volta do segundo ou terceiro mês. É muito frequente, em Portugal, a existência de umas manchas na parte inferior das costas e nas nádegas, azuladas (como se tratasse de uma “nódoa negra”), e a que se chama “mancha mongólica”. Apesar do nome não tem nada a ver com a Sindroma de Down ou Trissomia 21. O nome “mongólico” deriva de ter sido primeiro descrita na raça mongol. Pode permanecer até aos dois anos de idade e, por vezes, pode ser muito extensa. Também podem existir angiomas, que são formações com diversos tamanhos e em vários locais, desde a nuca (muito frequente), até qualquer dos membros, abdómen ou face. São de cor avermelhada ou arroxeada e às vezes salientes. Geralmente aumentam um pouco de tamanho até aos 9 – 12 meses e depois podem regredir. Só se aumentarem muito, mudarem de aspecto, se tornarem salientes ou sangrarem é que necessitam de cuidados médicos. Devido ao contacto com alimentos ou com a própria pele da mãe durante a amamentação, sobretudo quando há calor, o bebé poderá apresentar dermatite perioral, que são umas borbulhinhas que surgem no queixo ou nas bochechas e que desaparecem gradualmente. Por último, a erupção cutânea mais frequente nos recém-nascidos, o eritema tóxico neonatal. Consiste em pústulas vermelhas pequenas (um a dois cm) com um pequeno nódulo branco no centro. Podem ser numerosas e localizarem-se em qualquer parte do corpo (excepto nas palmas das mãos e plantas dos pés). A causa desta erupção é desconhecida e inofensiva, podendo persistir por dias ou semanas.

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A maior parte destes problemas, apesar de serem muito frequentes nos primeiros dias/semanas de vida, desaparecem sem deixar qualquer tipo de sequela no bebé, devendo os pais estar despertos para isso. No entanto, embora a pele do bebé não seja tão frágil como á partida se possa pensar, ela precisa de cuidados específicos com a higiene e com os produtos escolhidos.


Os produtos aconselhados para a pele do bebé deverão ser produtos com tolerância e inocuidade demonstradas, evitando sempre os perfumes e corantes, pelo risco de irritação ou sensibilização. Se mesmo assim decidir usar um perfume utilize em pequena quantidade e lembre que é melhor perfumar a roupa do que o bebé. Com bons cuidados podem-se evitar graves problemas de pele no futuro.

Publicado na edição de 25.05.2011 do Jornal Expresso do Ave

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