Nascem cedo demais, provocando sentimentos muito fortes nos que os rodeiam. São os bebés prematuros, para quem um piscar de olhos ou o mamar o equivalente a uma colher de café são grandes vitórias. Quatro hospitais nacionais assinalam hoje (17 de Novembro de 2009) o Primeiro Dia Internacional de Sensibilização para a Prematuridade, uma “brusca realidade” que atinge em Portugal cerca 10 por cento dos bebés.


Angústia, medo, aflição, preocupação e até culpa são sentimentos vividos por mães e pais quando, de repente, vêem o seu bebé nascer prematuramente, muitas vezes com pouco mais de meio quilo e do tamanho de uma pequena garrafa de água.

À espera do Dia Mundial
Este dia de sensibilização para os bebés prematuros foi criado pela Fundação Europeia para o Cuidado dos Recém-nascidos (EFCNI, na sigla em inglês) e será comemorado pela primeira vez hoje em diversos países europeus, na Austrália, Estados Unidos e Canadá. Em Portugal, a data será assinalada nos hospitais S. João, no Porto, e Central de Faro, bem como nas maternidades Bissaya Barreto, em Coimbra, e Alfredo da Costa, em Lisboa.

A ideia é “lembrar o prematuro, reflectir e pensar em maneiras de reduzir a taxa de prematuridade, reduzir as sequelas nestas crianças e minimizar os problemas das suas famílias”, afirmou à Lusa Hercília Guimarães, directora do Serviço de Neonatologia do Hospital de S. João e membro da direcção da EFCNI.

Segundo Hercília Guimarães, a fundação europeia solicitou já à Organização Mundial de Saúde (OMS) que institua o 17 de Novembro como Dia do Prematuro, encontrando-se agora à espera da resposta. “Temos cerca de 10 por cento de nascimentos prematuros em Portugal”, refere a médica, acrescentando que estes bebés, bem como as suas famílias, se deparam com multiplos desafios. “São bebés que precisam de cuidados especiais e de apoio multidisciplinar depois de terem alta do hospital, durante muito tempo”, afirma.

De acordo com dados da Secção de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria, as crianças que actualmente nascem antes das 28 semanas de gestação têm uma sobrevivência de 70 por cento e, das que nascem antes das 30 semanas, 80 por cento não têm problemas de desenvolvimento.

Para Hercília Guimarães, há ainda muito a fazer em relação a estes bebés, nomeadamente quanto aos riscos. “Os pais já começam a acreditar que é possível a sobrevivência dos seus filhos e que é possível reduzir sequelas”, diz. Refere, a título de exemplo, que, “muitas vezes, estes bebés precisam de ser acompanhados por três ou mais especialidades e, naturalmente, a sociedade não está preparada para que uma mãe falte tanto tempo ao trabalho”.

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